1 Setembro
a menos

01/09

Há 10 anos lancei um livro intitulado Puta Merda!. Contava minhas aventuras durante certo período, sem tomar nenhum tipo de bebida alcoólica. Vou repetir a dose –a de narrar novas histórias– por 30 dias, mas sem abrir mão do copo, da latinha e da garrafa. Abaixo, o primeiro capítulo do tal livro, a título de curiosidade.


As personagens de Jules Verne dão a volta ao mundo em 80 dias e o mundo gira à minha volta há 80 dias, de maneira extremamente presente. Exatos 80 dias nos quais não bebi uma gota de álcool.
Parar de fumar foi muito mais difícil e parar de beber ainda não me trouxe os previstos e desejados benefícios. Esperava, no mínimo, o grande barato da sobriedade.
A bebida me deixa criativo e muito indisciplinado, disse eu a vários interlocutores. Preciso ser mais regrado e colocar em prática (escrever, por exemplo) parte daquilo que me passa pela cabeça.
Esperava, também, ser mais produtivo.
Faz 80 dias que estou empurrando com a barriga — um pouco menor, confesso com orgulho — o início de algo que ainda não sei bem o que é.
Diversos livros por terminar, projetos por começar, idéias a executar não faltam — aliás, sobram.
A inspiração é movida pela mão que escreve, disse um personagem de um livro do qual gostei muito. Neste instante decreto que meus dedos vão apertar teclas nos próximos 79 dias, para completar 80 dias de trabalhos forçados.
Será que chego a 160 dias sem álcool?

02/09

Nesta quinta-feira (05 de setembro), faço outra viagem de carro, desta vez de Colonia del Sacramento (Uruguai) a São Paulo. A última foi há alguns meses, na Argentina.
Atravessar o Uruguai de carro é um prazer: estradas simples mas boas, pouco trânsito, belos campos e vez ou outra uma supresa no meio do caminho. Como esta, que aconteceu faz três anos.

03/09

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Ontem à noite fui à "una rica picadita y buena charla en casa de amigos", com direitos a bons queijos e vinhos, acompanhado da especialidade do anfritrião, um pão caseiro de comer ajoelhado. Perfeito! Como dizem que uma imagem vale mais do que 1.000 palavras, eis o registro.
....
(aliás, nunca acreditei no clichê acima; mostre-me foto ou ilustração que represente tal afirmação –que reproduza por imagem a exata frase–, e eu paro por aqui.)
...
Hoje acordei ao som de suaves mantras de Led Zeppelin... em alto e bom som. Há que cuidar do corpo e da alma, certo?

04/09

Amanhã pego a estrada, rumo a São Paulo, saindo de Colonia del Sacramento.
Cidade com menos de 30.000 habitantes, fica às margens do majestuoso Rio de La Plata, também conhecido como o mar de água doce, bem ao sul do Uruguai.
Na outra margem, Buenos Aires; em dias bonitos e claros, dá para se avistar alguns arranha-céus, mesmo a 50 km de distância.
Capital do departamento que leva o mesmo nome, Colonia vive de agropecuária, de algumas indústrias de alimentos e de turismo interno e externo. A cidade é um brinco; foi fundada por portugueses, em 1680, três anos após Paraty, no Rio de Janeiro. Ambas são bastante parecidas (Centro Histórico), mas Colônia do Santíssimo Sacramento –nome de batismo– é bem mais conservada.
O que encanta mesmo, além da beleza do local, é a tranquilidade e paz. As pessoas são amáveis, ninguém tem pressa de nada e a siesta depois do almoço é de lei. O lugar ideal para passear, namorar, ler, não fazer nada, comer, beber e pensar na vida.

Estou fazendo minha parte: como asado (churrasco) e tomo Tannat (vinho) todos os dias e, de vez em quando, eu penso.

05/09

Hoje o relato vai em forma de podcast, onde eu dou a cara a bater: juntei as gravações feitas durante a viagem, sem editar nada. O texto está repetitivo, há erros de português e eu dou umas gaguejadas. Bem feito!, assim passo vergonha em público e me preparo melhor para a próxima vez.

06/09

07/09

Colonia del Sacramento - São Paulo.
2.070 km feitos tranquilamente, sem nenhum stress.
A viagem maior aconteceu na minha cabeça, ao conversar com meu alter ego, com o Grilo Falante, com algumas pessoas do passado e outras do presente.
Também ouvi diversos podcasts e tem um que me chamou bastante a atenção; é da BBC e se intitula "This is Capitalism". Para quem entende inglês, vale pena conhecer pela abordagem diferente do programa e pela atualidade dos temas abordados.
Comecinho da noite em São Paulo, vou traçar uma merecida pizza brotinho de muçarela (é assim que se escreve corretamente, mas prefiro tanto mais a agora vulgar e inculta forma de antigamente!). Vou pedir uma de muzzarela mesmo, já que as palavras faladas não costumam serem acompanhadas de legenda com a ortografia delas.

08/09

Domingão de sol em São Paulo, pós-feriado.
Exames de sangue às 06:30 da manhã (aproveitando o estado de sobriedade autoimposto pela viagem de Colonia até aqui), pulo no CEASA para comer pastel, tomar caldo de cana e comprar preparado de sashimi, "reanimar" a moto que estava parada há cinco meses (ela pegou na primeira!) e um rápido bate-volta até Jundiaí, para fazer circular o óleo no motor e o sangue no meu corpo.
Almoço zen com peixe cru, Heineken e Iron Maiden.
Previsão para a tarde: tomar mais umas cervejinhas e colocar minha biblioteca em ordem (parte viaja para o Uruguai, parte será destinada ao sebo de um amigo).

09/09

Fuck you selfie!

As redes sociais estão aí há bastante tempo para confirmar sua necessária existência no cotidiano de cada de um nós. Poderia haver menos ignorância, ódio e manipulação, mas a realidade é o que se vê no dia a dia.
O lado bom é que a gente pode filtrar as porcarias e, em última instância, sair do aplicativo e até cair fora de vez.

Me chama a atenção que as pessoas caiam como patinhos nestas armadilhas de "likes" e dêem de graça todos os seus dados para estas grandes empresas de publicidade (é o que são as redes sociais), que vendem as informações aos patrocinadores e marcas.

O que mais me impressiona é a postagem de fotos próprias, sobretudo de selfies. Entendo que as pessoas se achem bonitas e interessantes (malgrado as gritantes evidências em contrário reveladas pelas imagens). É um verdadeiro show de horror!

Ou talvez tudo não passe de um delírio meu, de uma insatisfação de me mirar no espelho do banheiro, todas as manhãs, e não me reconhecer: estou preso em um corpo que não me pertence! Como prova do que digo, publico uma selfie tirada logo após sair do chuveiro.

Fuck my selfie!

10/09

Maldito Levrero (parte 1)

Tudo começa com um livro que lancei este ano, intitulado Maldito Levrero!.
Trata-se de quatro histórias, uma dentro da outra.
Começa com uma reunião, entre uma ambiciosa editora de livros e um exímio e criativo revisor de textos, na qual eles combinam criar um manuscrito inédito de um autor já falecido.
A segunda história é a própria obra plagiada, na qual são apresentados Mario Levrero, importante autor uruguaio, e Jorge Varlotta, uma espécie de clone intelectual de segunda mão. Ele, Jorge, se apaixona inicialmente pela obra de Mario, porém, à medida em que vai devorando sua obra, passa a odiá-lo.
Resolve, então, vingar-se de uma suposta conspiração contra sua pessoa e se põe a escrever uma história (a terceira), fazendo-se passar pelo outro.
Na última história, explicam-se as três primeiras por meio da figura de um advogado que acompanhou todo o processo (desenrolar da trama) e está metido em um processo, movido pela família do falecido autor.

Neste momento, a realidade entra em ação.

Dois dias antes de lançar oficialmente Maldito Levrero! em Colonia del Sacramento, Uruguai, fui surpreendido pela notícia de que a família de Mario Levrero estava me procurando há alguns meses.
Souberam do meu livro na Feira de Buenos Aires, evento do meio editorial do qual participei, buscando achar uma editora uruguaia ou argentina que se interessasse.
(É preciso explicar que escrevi o livro em português e que depois ele foi traduzido para o espanhol.)
Liguei para a viúva dele –consegui o telefone com o sobrinho de uma amiga dela– e ouvi 10 minutos de lamúrias.
No dia do lançamento, lá estava ela e fui cumprimentá-la; mais 10 minutos de queixas (as mesmas, por sinal).
Depois de conversar com o público e autografar alguns exemplares, a última sessão reclamação (eu já conseguia reproduzir as frases na minha cabeça antes de ela pronunciá-las).
Quando ela disse no final que a família a comparava a Maria Kodama, viúva de Jorge Luis Borges, quase que a corrigi: você está mais para Yoko Ono do que a própria Yoko Ono.

11/09

Depois de passar o dia inteiro arrumando minha biblioteca, sentei no sofá, liguei a televisão e fiquei bestificado em questão de minutos.
Parte da progamação centra-se na exploração da violência e miséria humana e deve atender à ânsia visceral de constatar que a desgraça é democrática. Os outros também se fodem, que bom, não sou só eu!
Meu estômago quase expele o almoço inteiro quando acompanho algumas atrações religiosas, lideradas por gritantes aves de mau agouro. Divinamente, a salvação está a caminho e opera pelo carnêzinho do dízimo. Aleluia!
Do outro lado do arco-íris, emissões multicoloridas com tons 100% politicamente corretos –com pretensão à inclusão total de todos e tudo– norteadas por palavras de ordem da hora e outros modismos em voga. Apresentadores, atores e demais farsantes com cara de capa de revista, dentes perfeitos e clareados, vendendo de tudo sem o mínimo pudor.
De uma doçura tóxica, cativante e letal: o que vale é a liberdade de expressão e de compartilhamento.

Já da liberdade de reflexão, nenhuma menção.

12/09

Foto única da única premiação escolar que recebi em minha vida.
Melhor Camarada do ano (claramente um prêmio de consolação ou delírio visionário de algum professor marxista da época).
Justiça seja feita, todos queriam estar ao meu lado no recreio; BFF desde 1968!!!

...

O ditado de inglês

Na terceira semana, eu já tinha matado a charada: o ditado de inglês que a professora nos passava, toda segunda-feira, era o texto que ela tinha lido na semana anterior e com o qual tinha mais se identficado. Ela costumava ler dois, mas um deles era o que mexia com ela. Era quase que um transe – ela não só interpretava o que estava sob seus olhos. Seu corpo o expressava, sobretudo pela respiração, o que fazia seu colo subir e descer, juntamente com nossas imaginações.
Sempre o último da classe –seguindo uma tradição que eu tinha inaugurado há alguns anos, e mantinha com fidelidade e regularidade exemplares–, resolvi tirar a melhor nota na matéria. E, quando ela declamou aquele poema, naquela aula, sorri para mim mesmo.
Tinha passado o domingo todo fazendo a melhor cola do mundo; escrevi e rasguei tantas folhas que, ao final, já conhecia o texto de cor. Finalmente, no final da tarde, a cópia perfeita estava pronta.
No dia seguinte, quando ela nos instruiu a pegar uma folha em branco e começar a escrever o que nos ditaria, sorri de novo ao ouvir a primeira palavra. Meu palpite estava correto: era o texto que se encontrava pronto, imaculado e perfeito, embaixo da carteira escolar.
Enquanto meus colegas sofriam, eu alegremente fazia de conta que me esforçava e, em alguns momentos, escrevia as palavras antes que fossem pronunciadas (tempos depois, caiu a ficha de que preparar cola era a melhor maneira de se aprender alguma coisa).
Na hora de entregar o ditado, rapidamente troquei as folhas.

Na aula seguinte, a professora começou a devolver as provas e, na minha vez, disse: “Perfeito. Nenhum erro. Tem até um parágrafo a mais.”
Ela tinha encurtado o poema, e meu ditado o trazia completo.
Nota zero, obviamente!
Mandado à diretoria para me explicar –outro costume semanal que cumpria à risca–, fui saudado por um sorriso sarcástico que me perguntou: “O que foi desta vez?”.
“Estudei demais”, respondi com toda honestidade do mundo.

13/09

A matemática da vida

Quando nasci, eu tinha 0 anos (é o que me dizem, eu não lembro de nada).
Depois fiz 1, 2, 3, 4, 5...

Aos 14 anos, queria ter 18.

Aos 17, era tão radical como um velho de 50.
Aos 18, achei que era imortal.
Aos 35, descobri que não era.
Aos 38, eu parecia ter 58.
Aos 42, 38.
Aos 45, 45.

Aos 50, acreditei ter 70, por perceber que a mente não parava, já o corpo não acompanhava... tudo.
Aos 63, me sinto como se tivesse 18, não fosse este corpo que grita 58.

Nos meus sonhos, sou sempre jovem, sem idade definida.

Puro espírito, sem matéria – melhor dizendo, sem o peso da matéria.
Acho que estou sendo enganado, de algum jeito, em algum lugar, em algum momento. E, certamente, por mim mesmo e mais ninguém.

14/09

Como bom ateu, confesso e convicto, não deixo de manifestar com frequência minha crença na não existência de Deus; trata-se de uma espécie de dever moral e contribuição comunitária.
Ao longo dos anos, venho descobrindo que minha bronca não é tanto com ele, mas com o que os homens e mulheres falam e, sobretudo, operam e fazem em nome Dele.
Nos últimos tempos, tenho percebido cada vez mais claramente que Ele não nos fez à sua imagem e semelhança, mas que nós O criamos à nossa imagem e semelhança e que, se morrer nossa fé, Ele morre em consequência. 

Há, porém, três deuses –aparentemente menores– que efetivamente regem nossas vidas do início ao fim, sem que se lhes dê os devidos créditos. Eles estão onipresentes e atuam constantemente, de maneira inexorável. Dependendo de sua clemência –ou não–, é possível experimentar as três instâncias celestes aqui mesmo, sem ter que morrer antes: Paraíso, Purgatório, Inferno.
São eles o deus Tempo e sua não menos poderosa irmã, a deusa Saúde. Se eles não tiverem ao nosso lado, de pouco servem nossos esforços pessoais.
Já a caçulinha do trio, a Sorte, é a mais menosprezada, pois costumamos sempre creditar nossos êxitos à nossa inteligência e capacidade – e nossos fracassos se devem aos outros e às circunstâncias da vida, obviamente.

Como bom ateu, rezo para os três todos os dias.

15/09

No menú de hoje, podcast com outras vozes que não só a minha.

16/09

Um amigo comentou comigo que eu deveria inserir um menu de navegação neste blog, para facilitar a vida das pessoas. Achei a ideia interessante, embora minha concepção ideal fosse a de uma leitura sequencial, sem pular páginas, a exemplo de um livro.

Passei boa parte desta manhã quebrando a cabeça para descobrir como fazer isto. Aprendi um monte de coisa nova e interessante, mas não resolvi o problema que tinha me proposto solucionar. Confesso que sou bastante assim, me perco pelos caminhos onde me leva minha insaciável curiosidade, desde criança. Algumas vezes percebo o desvio que estou trilhando e volto à rota certa; outras, a ficha também cai mas continuo onde estou, por puro prazer. Finalmente, não é tão raro eu não perceber o fato até que alguém me chame a atenção ou me acorde do meu transe.

De qualquer forma, eis o post de hoje, surgido do acaso e que não deixa de ser real e autêntico.

17/09

Quando pequeno –peralta, serelepe, traquinas, arteiro, travesso– costumava frequentar um Pronto Socorro da Zona Sul de São Paulo com bastante regularidade. A ponto de quase todos os que lá trabalhavam me chamarem pelo nome. Pelo menos uma vez ao mês eu aparecia por lá para bater o cartão.
Sofri muito nessas visitas, pois invariavelmente tiravam sangue para exames; eu fazia flexão do antrebraço para preencher um tipo de garrafa de leite Leco (de vidro), que estava plantada na minha veia através de um cano que me parecia bem grosso. Além disso, sempre levava uma injeção na bunda de lembrancinha da festa.
Os efeitos desse bom tratamento é que até hoje tenho pavor de agulhas e outros equipamentos medicais.

Recordo o cheiro forte de éter impregnado no ar de todos os corredores e salas, nas paredes das quais estava afixado o retrato da severa e assustadora enfermeira ordenando o silêncio. Me lembro de ter visto também uma rara foto de uma jovem bem mais simpática e bonita, mas que provavelmente não cumpria o seu fim.
Hoje atuei como acompanhante de uma pessoa que foi submetida à certa anestesia, para um procedimento de rotina. O "day clinic" parecia mais um "coworking" de cores alegres e cheio de lousas laboriosamente preenchidas à giz com dizeres e desenhos da atual modinha vigente. O susto maior foi o que parecia ser o "happy hour" dos atendentes, enfermeiro(a)s e médico(a)s às 08:15 h da manhã!

Tentei ler o livro que levei comigo –sem sucesso– e juro que senti saudades da foto em preto e branco daquela mulher autoritária!

18/09

Dia longo, escrita curta!

19/09

San Pablo para uruguayos!

La ciudad tiene un poco más de 12.000.000 de habitantes, casi 4 veces la población del Uruguay.
La Grande San Pablo –región metropolitana– suma alrededor de 21.572.000.
Demasiada gente, permanente congestión del tráfico, los transportes públicos abarrotados, el robo y la violencia, los niervos a la flor de la piel, la indiferencia y/o la rabia hacia el otro.

Lo que mata no es el gigantismo, pero la muchedumbre – que crea una manada de milliones y milliones de solitarios y enfermos.

El segredo para sobrevivir es encontrar su rincón y preservarlo como se puede – una solución egoísta que perpetua las fealdades que se pretende ignorar.

Mira-se solamente lo que le agrada a uno.

20/09

O aniversário é dela, o presente é meu...

21/09

22/09

Fuck my selfie!

Já foi dito inumeras vezes –e comprovado outras tantas– que o grande mal de nossa realidade digital é a falta de atenção. Tudo tem que ser rápido, instantâneo e online, não há tempo de se dar um tempo para a(s) ficha(s) caír(em).

Tranquilo não vou entrar em filosofadas, o comentário de hoje é objetivo e pontual: poste-se qualquer coisa mais elaborada e sua contribuição passa quase que desapercebida; compartilhe algo engraçadinho, que requeira pouco esforço mental e que de preferência traga sua imagem, você ganhou o dia.

24/09

Quase todos os meus heróis morreram jovens. Por acidente, excesso de drogas ou álcool, vítimas de violência e raramente por motivo de doença terminal.
Todos eles, por mais distintos que fossem, tinham a mesma característica: o desejo de ir até as últimas consequências daquilo que se propunham fazer. Apesar de todos, de tudo, sobretudo deles mesmos.

Alguns dos meus heróis morreram, não porque continuaram a viver, mas por deixarem suas utopias morrer.
Que Greta Thunberg seja uma exceção, viva muito e resgate minha fé nas fantasias possíveis.

25/09

Um dia perfeito.
Um almoço e uma longa conversa com uma amiga de sempre.
Um jantar e outra longa convresa com amigos que serão de sempre.

26/09

Arrumando malas para volver al Uruguay.
Meio nervoso com o convite que recebi para lançar Maldito Levrero na Feira do Livro de Montevidéu, em 1º de outubro.

27, 28 e 29/09

Viagem tranquila e gostosa, conversando bastante com Márcia Elena e pensando na vida.
Um pouco preocupado, confesso, com a apresentação de ¡Maldito Levrero!, na Feria del Libro de Montevido, na próxima terça-feira (1º de outubro), no quadro de uma noite dedicada ao autor.
E 100 km antes de chegarmos ao destino final, encontramos este estabelecimento, construído na década de 1880, um misto de armazém, restaurante e pousada. Comemos como reis, compramos dois queijos realmente bons, a serem saboreados de joelhos, e prometemos voltar.

30/09

Maldito Levrero (parte 2)

Amanhã é o dia em que voltarei a me encontrar com a viúva de Levrero, conhecerei a filha e o enteado dele.
Serei muito bem recebido pelo organizador do espaço na Feria del Libro de Montevideo, Gabriel Peveroni, um escritor de primeira linha e do qual devorarei com prazer o seu último livro, Viajar não leva a lugar nenhum (a tradução ao pé da letra é minha).
Conhecerei também a Pablo Silva Olazábal, escritor, jornalista e crítico literário –profundo conhecedor da obra de Mario Levrero, com o qual manteve um relacionamento epistolar de vários anos– que, junto a Mauro Larauda –ele escreveu o prólogo de meu livro e é um conhecido professor de oficinas de escrita– me entrevistarão de maneira descontraída.
Todos os três colegas de profissão (embora eu me considere um escritor ocasional) falarão bem de ¡Maldito Levrero!, edição espanhola.

E assim se encerrará um setembro a menos, e assim começará um outubro a menos.